Meu relacionamento começou errado. Ele sabe disso e mesmo assim me pediu em casamento.
Quando terminei o noivado com o João, ficou uma mágoa tão grande que eu não podia vê-lo, nem pintado de ouro. Ser trocada por uma carro novo, foi a gota d’água. Senti-me desrespeitada, trocada como um objeto. Não era segredo para ninguém que os pais dele não gostavam de mim, não me aprovavam, e com a sua formatura na faculdade de engenharia, fizeram a oferta. Adiar o casamento até ter um bom emprego, comprar um apartamento, estabilizar-se antes de dar um passo importante como esse. Se assim fizer, ganha um carro novo, zerinho.
O mundo acabou, pra mim. Tudo o que construí em minha mente, o que idealizei para o futuro, os sonhos de uma vida conjugal foram jogados por terra por quem tinha escolhido ser o pai dos meus filhos.
Foi nessa época que o Carlinhos, um rapaz super gentil que trabalhava em uma das mesas ao lado da minha, ao saber da minha separação, convidou-me para ser a sua companhia em uma atividade festiva da empresa. Minha primeira reação foi negar, mas influenciada pelas amigas que diziam que “a fila devia andar”, acabei aceitando o convite.
A principio, estava sendo o pior sábado da minha vida, mas o Carlinhos, sensível ao meu problema e com muito tato e paciência, soube transformar aquele dia em fim de semana extremamente agradável. Fim de semana, sim. No domingo fomos ao clube da empresa, circulamos pela piscina, almoçamos juntos e assistimos a um jogo de vôlei, sua paixão, e no final do dia deixou-me em casa. Quando chego ao trabalho do dia seguinte, no solitário sobre a minha mesa tinha uma linda rosa branca com um cartão que dizia: “Espero que o seu fim de semana tenha sido tão bom quanto foi o meu”.
Desde então, o Carlinhos tem sido um grande e carinhoso amigo. Na verdade, não só um amigo, pois acabamos nos envolvendo e mesmo sabendo que o João ainda mexe muito comigo, na evolução da nossa história, fui pedida em casamento. Honesta comigo mesma e principalmente para com os sentimentos do Carlinhos, abri meu coração e expliquei que, embora satisfeita com o novo relacionamento, ainda balançava quando via ou ouvia falar o antigo namorado. Mesmo assim, nosso casamento foi marcado para o final do ano.
Meu futuro marido me disse que o amor que sente por mim será suficiente para nos dois, mas sei, isso não é verdade. Estou insegura e acho que é porque o meu relacionamento com o Carlinhos não nasceu de uma admiração, de um encantamento ou mesmo de uma atração. Nossa história começou de forma errada, começou da minha necessidade de uma compensação. Confesso a minha duvida e sei que tenho que resolver tudo antes do dia do matrimonio. Não que será um caso irreversível, mas com certeza, tomar uma atitude consciente, dar um passo importante como o casamento, trará menos transtornos se for uma decisão de caso pensado.
Casar é coisa séria e mesmo meu relacionamento tendo começado de forma errada, minha decisão terá que ser acertada. Casar, tem que ser por amor.
Gilberto Bertevello Psicanalista e Psicoterapeuta. duvidas@biopnl.com.br
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